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domingo, 21 de fevereiro de 2010

BR217 Parte Final - Da Barraca da Consolação até Paraiópolis! 217k corridos por duas pessoas em 35h41min!

É a hora do Capítulo Final! Faltam 18km para linha de chegada! Pouco se fosse considerado uma corrida isolada, mas depois de 199km, esses 18k pesam.

A saída do último trecho foi na Barraca de Consolação. Saindo da Barraca logo se enfrentava uma pequena subida. Fiz esse trecho ano passado, e o tinha começado a correr por volta de oito da noite. Dessa vez eu estava algumas horas adiantados, já que ainda não era quatro e meia da tarde.

Esse é um dos trechos mais difíceis da corrida e ainda teve uma complicação a mais: uma das pontes tinha caído por causa das fortes chuvas que tinham caído na semana anterior. Fomos informado que teríamos que atravessar uma pinguela, mas uma ponte alternativa foi construída, e na hora de achá-la me perdi um pouco. Acabei correndo 1km a mais do que o necessário. Após atravessas a ponte tinha duas opções: direita ou esquerda. Acabei optando erradamente pela primeira opção. Mas dessa vez percebi o erro mais cedo e reparei onde estava a marcação correta.

Alguns km mais a diante, pude encontrar com o carro de apoio. Aproveitei para reabastecer e segui viagem. O carro ainda seguiria comigo por mais alguns km, mas eu achava que ele poderia me acompanhar até o fim. Esse foi um grande erro de estratégia, pois quando não foi mais possível ter o apoio eu estava com a minha mochila de hidratação pela metade.

Não deu outra! Um pouco além da metade do caminho eu já sem água e sem ter onde abastecer. Isso me fez reduzir em muito o meu ritmo. Já não corria nem no plano. Não podia gastar a água do corpo, pois não teria como repor. Minha grande sorte foi ter passado por uma fazenda que tinha uma bica de água. Não posso dizer se era potável ou não, mas parecia limpa. Não pensei duas vezes: entrei na fazenda e reabasteci minha mochila. Agora teria mais 2L de água, o que era mais do que o suficiente. Finalmente pude voltar a correr.

Chegando perto de Paraisópolis começou uma rápida descida. Porém a cidade fica no alto de um monte e tudo o que desci logo depois tive que subir. Assim que cheguei no ponto mais alto o último morro (era uma serra) começava a derradeira descida. Mais algum tempo já estava dentro da cidade. Já não era mais estrada de terra.

Era só correr para o abraço. Só faltava 1km. Quando faltavam 500m encontrei o João e o Victor. Como eu estava num forte sprint final pedi que eles me seguissem. Assim o fizeram. Cruzamos a linha de chegada com 35h41min. Conseguimos acabar antes do anoitecer. Nunca senti tanta alegria ao acabar uma corrida. Gritei e chorei muito.

Recebemos a medalha ali mesmo. Junto com ela uma camiseta de Finisher.

Agora era hora de jantar, tomar um bom banho e dormir! No dia seguinte voltaríamos ao Rio, onde a vida voltaria ao normal...

Essa foi a maior aventura da minha vida até então! Digo até então, pois pretendo viver várias aventuras maiores, incluindo a BR135 solo, algo que pretendo fazer ano que vem.

É isso! Com esse relato acabo, com um mês de atraso, a minha epopéia da BR217. Que venham muitas outras corridas nesse ano, que mal começou e que promete muito!

Grande abraço,

E até a próxima, que está mais próxima do que vocês podem imaginar!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

BR217 Parte 5 - De Borda da Mata até a Barraca de Consolação

Acabou o Carnaval e por isso volto aos meus relatos! Tinha prometido acabar isso antes do Carnaval, mas a folia me impediu. E como agora estarei muito ocupado, ou escrevo agora, ou essa aventura vai ficar sem um relato final... Vou relatar aqui o penúltimo e o último trecho do João e o meu penúltimo.

O João voltou a correr em Borda da Mata e iria correr até Tocos do Mogi. Porém tinha uma chance de a estrada estar impedida para o carro e ele teria que correr sozinho até Estiva, o que dava um total de 39km. Isso no final de uma corrida era muito, mas seria algo que poderia acontecer.

Assim que ele começou a correr a chuva aumentou. Choveu ainda mais comparando com o que choveu enquanto eu corria. Como teria que encontrá-lo em Tocos e obrigatoriamente teria que passar por Estiva, lá fui eu dirigindo o carro até Estiva. O trajeto passava por Pouso Alegre,e como não agüentava mais dirigir, optei por parar o carro para descansar. Escolhi o melhor lugar que achei, que era um posto de gasolina bem movimentado no centro da cidade. Dormi por um pouco mais de duas horas. Não sei quanto tempo foi ao certo, mas acordei no susto, pois era hora de encontrar o João.

Algum tempo depois chegamos em Estiva e perguntamos se era possível chegar até Tocos do Mogi. Era! Ou seja, teríamos que ir até lá. Mas primeiro resolvi tomar um banho. Já passava de 24h de prova e eu ainda não tinha tomado banho. Banho tomado, espírito renovado! Agora era partir para Tocos de Mogi.

Meu medo era que o João já estivesse passado pela cidade há um tempo, então resolvi acelerar o máximo que a estrada de terra permitia. Encontramos ele 1km além da cidade, o que era ótimo, pois ele não tinha extrapolado o limite dele. Combinamos que ele me encontraria uns 4km adiante, para que eu repusesse meu estoque de água e Gatorade. Já tinha mais do que isso e nada deles. Resolvi pedir para um carro que passava que acordasse eles, para que eles pudessem me apoiar. Ainda bem que tomei essa decisão, senão eu teria corrido todo o trecho e eles teriam ficado por lá. Nada que nos atrapalha-se, já que a exaustão nessa hora era muita e já contávamos com ela.

Meu trecho seria de 21,7km. Já tinha corrido muito e ainda tinha uma Meia Maratona pela frente. Eles foram me acompanhando por todo o tempo (ainda bem que não voltaram a dormir!!!). A estratégia era dar uns km de vantagem e encontrar o carro de apoio depois. Num desses intervalos em que eu corria sozinho encontrei uma cobra! Mas ela estava morta, provavelmente atropelada, mas não quis ter certeza e tratei de voltar a correr. Na verdade voltei a andar, já que era uma ladeira bastante íngreme.

Depois que você chega no alto do último morro (eram vários), há uma descida de aproximadamente 4km, depois uma subida por alguns metros e o último km te levava para Estiva. Esse trajeto eu já conhecia, pois era exatamente o meu penúltimo trecho da BR do ano passado. Dessa vez também era meu penúltimo trecho e a vontade de terminar me fez descer a toda! Corri nesse trecho mais do que corri em toda a corrida. Dei aquele spint final, mesmo Estiva não sendo a linha de chegada. Mas foi gostoso chegar na cidade a toda e terminar meu quarto e penúltimo trecho.

Agora era vez do João correr novamente! Enquanto isso me pesei e fiz um teste de urina. Ambos foram bons! Poderia voltar a corrida. Fizemos um rápido almoço e voltamos à estrada. O João teria agora 25km pela frente e eu mais 18.

Como demoramos um pouco no almoço e na pesagem, só o encontramos novamente no km11, no alto de uma longa subida. Repomos o que faltava, e combinamos de encontrá-lo mais a frente. Isso foi feito e repetido algumas vezes. Na última vez acabamos cochilando e acordamos algum tempo depois. Como já estávamos perto da cidade de Consolação bateu o desespero. Era a penúltima cidade e eu trocaria com ele um pouco mais a frente, na famosa Barraca de Consolação, para os derradeiros 18km.

Encontramos com ele um pouco além da cidade, mas ainda longe o bastante da Barraca. Demos o último apoio e marcamos a troca para a Barraca, já que eu seria o responsável pelo último trecho. Comecei a preparar as minhas coisas e alguns minutos depois lá estava ele. Era hora de voltar a correr o que seriam os últimos quilômetros da prova. Nem precisa dizer que a adrenalina estava nas alturas.

Que venha a última serra que nos levaria até Paraisópolis...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

BR217 Parte 4 - De Crisólia até Borda da Mata

Tudo estava pronto para os nosso terceiros trechos. Passei a vez para o João em Crisólia e me preparei para seguir viagem, mas não sem antes tirar uma foto em frente a Igreja da cidade. Me arrumei e seguimos rumo à estrada, onde encontraríamos o João. Andamos alguns quilômetros e percebemos que ele não estava no caminho. Logo resolvemos voltar para começar a nossa caça, mas antes de chegar de volta à cidade, o encontramos já o caminho certo. Ele tinha errado uma seta ainda dentro da cidade e se perdeu por quase 1km, o suficiente para que não o víssemos. De volta ao caminho certo, agora era só seguir adiante

A próxima parada seria Ouro Fino, cidade que ficou famosa graças a uma música do Sérgio Reis (“Menino na Porteira” – “Quando eu viajava na Estrada de Ouro Fino, de longe eu avistava a figura de um menino”). Disse para mim mesmo que iria tirar um foto em frente à estátua que fica na entrada da cidade, mas devido à pressa para que não nos perdêssemos, pelo segundo ano seguido isso não foi possível! Ano que vem eu tiro! Ouro Fino fica a somente 6,4k de Crisólia. Próxima parada agora era Inconfidentes.

Aqui cabe um parêntese: (os atletas era pesados em alguns postos de apoio e não poderia perder mais de 7% de seu peso. Caso a perda fosse de 5%, o atleta seria avaliado e liberado ou não.)

Como o João já tinha sido pesado e tinha perdido mais de 5% de seu peso, combinamos que trocaríamos de lugar para que eu fosse pesado. Como esperávamos ser pesados no PA de Inconfidentes, trocamos de posição antes do local previamente combinado para que não corrêssemos o risco de uma eliminação precoce.

Mas acabou que não fui pesado no PA. Nova pesagem somente em Estiva e nesse ponto seria exatamente na hora que eu estaria correndo, não precisando assim de trocas antecipadas.

Ao passar pelo ponto de apoio e ter meu tempo anotado segui diretamente para o caminho. Tinha que correr pela estrada de asfalto por 1km até uma entrada para uma estradinha de terra. Nessa hora começou a chover e a estrada, onde não poderia passar o carro de apoio, ficou completamente intransitável. Era impossível correr. Corri mal e porcamente até a primeira subida íngreme, onde encontrei um carro desavisado completamente atolado.

Vale lembrar que comecei esse trecho 23h34min. Ou seja, além da dificuldade natural do trajeto, não tinha nenhuma iluminação a não ser aminha lanterna de cabeça e a faixa refletiva, que não refletia nada, pois não tinha nenhuma luz voltada para ela.


Segui no meu misto de caminhada e trote, já que era impossível correr, por alguns quilômetros, até avistar algo que marcaria bastante a minha corrida!!!

No meio do caminho tinha um boi ou touro. Não sou um apaixonado por boi, sempre tive receio de passar perto de um. No Desafio Praias e Trilhas do ano passado dei uma travada frente à uma vaca, mas acabei seguindo em frente, pois já tinha aprendido que ao se assustar o bicho, ele sai do caminho. Pois foi isso que fiz. Comecei a gesticular e a gritar! Mas reparei que o bicho não se mexia e não parava de me encarar! Resolvi pegar a estaca de sinalização e comecei a movimentá-la na esperança de que o boi saísse do lugar, mas nada! Resolvi seguir em frente. O que aconteceu? O boi avançou! Como não parei de mexer a estaca, ele não atacou, mas isso fez com que eu travasse e desistisse de avançar.

Ainda bem que alguns minutos depois (não sei precisar quantos, mas foi entre 5 e 15) surgiu o Wagner. Assim que o avistei fiz a seguinte pergunta: “Tem medo de boi?” Ao ouvir uma resposta negativa o avisei: “Mas esse é bravo, quase avançou em mim!”. Sua resposta: “Basta andar e dar uns gritos que ele sai”. Como disse que já tinha feito, ele falou para segui-lo. Foi o que fiz. Quando estávamos exatamente ao lado do boi o que ele fez? SIM, ele avançou de novo, como estávamos a menos de 3 metros dele, nos apavoramos. Pelo menos posso garantir que EU me apavorei. Ele chegou a menos de 1m da gente. Tivemos que recuar. Uma segunda tentativa de passagem foi realizada e não deu certo. Éramos duas pessoas tentando passar por dois bois (só um nos atacava) e só estávamos perdendo tempo! A solução foi pular uma cerca de arame farpado que separava a estrada onde estávamos do pasto. Ao pularmos não encontramos nenhum boi, e voltamos alguns metros mais a frente, já a salvos do boi, que não parava de nos encarar. Se fosse de dia, certamente teria tirado uma foto do boi que me fez percorrer 1km em 25min, mas como era de noite e não estava carregando a máquina (não quero nem imaginar o que o flash faria com esse boi) o boi segui sem ser registrado. No final da corrida descobri que esse boi atacou mais algumas pessoas. Mais uma surpresa que o caminho nos brindava. Correra BR sem emoção não tem graça.

Depois do boi o trajeto seguia por mais alguns quilômetros. Fui caminhando pelo restante do percurso junto com o Wagner. A chuva só aumentava e era cada vez mais difícil andar! Correr ou trotar era impossível. A melhor coisa que fiz foi ter arranjado uma companhia, pois a pilha da segunda lanterna que eu estava usando, e que tinha acabado de trocar, acabou. Como o Wagner tinha lanterna, filei a dele e seguimos conversando e caminhando. Quando chegou na cidade de Borda da Mata, onde eu encontraria com o João Paulo e ele seguiria a corrida solo, resolvi caminhar junto com ele até a praça central onde sua família o esperava. Depois de usar a lanterna dele como guia não poderia deixá-lo para trás. Seria o cúmulo da falta de consideração.

Foi um prazer acabar aquele trecho, que não teve nada de prazeroso. Acabei os 20,1k em 4h17’. Foi um tempo horrível, mas considerando a chuva, o terreno e principalmente o boi, achei o tempo maravilhoso. Era a vez do João correr. Tão logo ele começou a correr e a tempestade caiu de vez. Só iríamos encontrá-lo novamente em Tocos do Mogi, isso se a estrada deixasse, mas aí já é o próximo trecho.

Volto em breve para contar o penúltimo capítulo dessa longa história. Prometo acabar de contar tudo até o Carnaval. Até porque meu Carnaval é sagrado e 1 semana depois da quarta feira de Cinzas, quando espero que a Vila sagre-se campeã, embarco para a Europa no meu Projeto Europa que será muito comentado aqui.

Um grande abraço.

OBS: com esse terceiro trecho dos dois completamos 134km de prova. Ainda faltavam 83km, uma Maratona para cada!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

BR217 Parte 3 - Do Pico do Gavião ate Crisólia

Quando passei a bola para o João, sabia exatamente o que ele iria enfrentar. Foi justamente o meu primeiro trecho no ano passado. Teria que primeiro passar por Andradas e depois subir até Serra dos Limas. Não era possível acompanhá-lo no primeiro trecho, em virtude da estrada de terra ainda estar molhada, possibilitando o atolamento. Resolvemos esperá-lo em Andradas, onde aproveitei para lanchar, trocar de roupa e descansar. Algum tempo depois ele surgiu, e o seguimos, já que nesse trecho poderíamos acompanhá-lo.

Era um trecho cheio de subidas e descidas de aproximadamente 15k. Ano passado foi o pior trecho da prova para mim, pois chovia muito e a estrada mal dava para andar, quanto mais correr, mas esse ano a estrada tinha sido concertada e estava ótima. Após andarmos juntos por uns 10k, resolvemos seguir em frente, pois eu logo teria que voltar a correr. Ele ficou para trás sem apoio e combinamos nos encontrar em Serra dos Limas.

Assim que o Victor e eu chegamos, fui logo comendo a macarronada que os atletas têm direito. Depois usei um banheiro limpo, e fui me preparar para correr. Como já estava no final da tarde, me preparei para correr no escuro, com a lanterna de cabeça (headlamp) e a faixa refletiva, ambos obrigatórios no período noturno. Me abasteci de água na mochila e Gatorade na garrafa de mão. Esperei o João chegar e comecei o meu segundo trecho.

Detalhe que eram 17h50 e no ano anterior estávamos no mesmo ponto aproximadamente à Meia Noite. Foi aí que percebi pela primeira vez que estávamos bem adiantados em relação à mesma corrida no ano passado.

Comecei a correr por uma tremenda subida. 4k depois estava em Barra, um pequeno bairro. Lembrei bastante desse lugar, pois foi aonde perdemos o Peter ano passado. Tinha uma seta para a esquerda, mas como estava muito escuro ele não viu e seguiu para a direita. Isso nos custou 7km rodados à toa. Passei pela seta em questão pintada em frente à Igreja e tirei uma foto para mostrar para o Peter. Sentado na escada da Igreja estava meu grande amigo Seabra, que ano passado tinha feito a BR solo e esse ano estava trabalhando como voluntário na organização.

Um pouco mais a frente tinha um rio, que para passar tinha 2 alternativas: ou molhava-se o pé, ou andava com muito cuidado por uma pedras que tinham que possibilitavam a passagem. Escolhi a segunda opção, o que foi ótimo, já que por causa do cuidado que tinha pude perceber a presença de uma fonte de água natural, onde pude me reabastecer, visto que não teria apoio ao longo desse percurso.

Precisamente às 20h começou a escurecer, e ainda restava pelo menos uma hora de corrida para mim. Liguei minha lanterna e segui viagem. Um pouco mais a frente comecei a cruzar com os carros de apoio de outros corredores. O terceiro carro a passar era o meu! Ele me seguiria até perto de Crisólia, onde acabaria meu trecho. Ainda bem que o carro estaav por perto, visto que a minha headlamp apagou justamente quando não existia mais luz natural. Se o carro não estivesse por perto, eu teria que seguir no breu.

Troquei de headlamp e segui viagem. Já era possível avistar Crisólia. Na praça principal da cidade, que parecia ser a única, encontrei com a minha equipe. Era hora de parar de correr. Passei novamente a Bola para o João. Cada um já tinha feito 2 trechos, o que totalizava até o momento 97k em 13h de corrida.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

BR217 Parte 2 - De São João da Boa Vista até o Pico do Gavião

O sábado começou cedo. Às 6h da manhã já estava tomando café da manhã. Às 7h já tinha saído do hotel e logo depois estava na praça central de São João da Boa Vista para iniciar essa que seria a maior corrida da minha vida até então.

Na praça encontram-se todos os que iriam enfrentar solo os 217km, assim como as duplas e trios. Além dos atletas, as equipes de apoio se aglomeravam na rua, que estava fechada. Um pouco antes da largada é tocado o hino nacional e todos se posicionam para a largada. Como iria correr o segundo trecho, me posiciono num local onde é possível acompanhar a largada, que é dada pontualmente às 8h.

Esse primeiro trecho tinha 18km, e a chegada seria em Águas da Prata, cidade do interior paulista. A corrida em si não tem ponto oficial de troca, mas optamos por fazermos o revezamento nas cidades, evitando assim problemas caso o carro de apoio não pudesse acompanhar.

Victor, o nosso apoio, e eu dirigimos até Águas da Prata para esperar o João Paulo. Como esse trecho, assim como todos os outros, era bem acidentado, esperávamos que ele chegasse com 3h de prova, mas antes disso lá estava ele, o que significava que era minha vez de correr.

Meu trecho era divido em 2 sub-trechos: o primeiro era de 13,3k, entre Águas da Prata e a base do Pico do Gavião, já em Minas Gerais, e o segundo é a subida e descida do Pico do Gavião, ponto mais alto da prova com 1600m, cada uma com 5k, o que dava um total de 23,3km.

Já no início percebo que a estrada de terra está bastante castigada por conta das fortes chuvas que não paravam de cair. Até sábado, todo dia da última semana tinha chovido. Já passava de 11h da manhã e a chuva não ameaçava. Esses primeiros 13,3k seguem tranqüilos, sem muita dificuldade, até que chego à base do Pico. Lá encontro algumas equipes de apoio que me incentivam a subir. Começo a subir correndo, mas percebo que seria impossível, e começo a subir andando logo depois de 200m. A subida não é fácil e a maior parte dela, como de toda prova, é numa estrada de terra. Na metade da subida há uma descida, mas ela acaba logo e a subida logo volta a assustar. Mas tudo vale a pena quando se chega lá em cima e se aprecia aquela vista maravilhosa.

Agora só restavam 5k de descida. E como eu adoro descida! Começou a descida e também começou a corrida. Não parei de correr por toda a descida, a não ser no que falei ser a descida enquanto subia, já que nesse caso seria uma subida. Foram 5k bem rápidos para uma Ultramaratona. Em menos de 30min estava eu novamente na base. Dessa vez a base estava com muito mais carros de apoios. Dentre os carros está o meu. Passo a bola para o João Paulo correr e resolvo descansar um pouco.

Primeiro de 5 trechos finalizado! Terminei os 23,3km em 3h03’44”

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

BR217 Parte 1 - A Pré Corrida

Quinta feira, dia 21 de Janeiro de 2010, 7h30, lá estou eu dentro de um ônibus rumo a São Paulo.
6 horas depois chego em São Paulo e pego o metrô para encontrar minha dupla, o João Paulo Conrado. Junto com ele está seufilho, o Victor. Colocamos minhas coisas dentro do Dobló, alugado por nós e partimos rumo a São João da Boa Vista, interior de São Paulo, onde seria a largada da prova no sábado.
Chegamos no fim do dia, mas ainda a tempo de jantar e pegar o kit da corrida. O kit continha: uma camisa da BR217 em dupla (verde), 1 livro do Valmir Nunes, 1 cobertor de emergência, 1 faixa refletiva, alguns apitos, 1 estaca de localização, entre outras pequenas coisas...
Nesse dia já tinha encontrado grandes amigos, como os Diretores da Prova, Eliana e Mario Lacerda, Seabra, e outros colegas que fizeram a BR no ano passado.
Após pegarmos o kit nos recolhemos ao nosso hotel, pois no dia seguinte às 8h seria a reunião técnica.
Pontualmente às 8h estamos lá prontos para a corrida. Lá descobrimos que o carro de apoio não poderia acompanhar o atleta em vários trechos, o que tornaria a corrida ainda mais difícil. Isso mudou toda a estratégia, e aí decidimos que cada um faria trechos de aproximadamente 20km.
Nessa reunião encontramos outros muitos amigos. como Marcio Villar, que tinha acabado de correr a BR135 de trás para a frente e iria encarar mais 217km no dia seguinte, totalizando 434km. Outros que encontro: Rafael Bonnato, Alberto Peixoto, Maria Ritah, Fabiola, Gustavo Abade, Alexei, Emerson Bizan, entre muitos outros...
Ao final do dia, vamos dormir, para relaxar, já que no dia seguinte começaria uma aventura de 217km em dupla.
Detalhes da largada e primeiro trecho amanhã...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

BR217 - Desafio Concluído

Consegui concluir mais esse desafio!

Foram 35h41min. Eu e João Paulo conseguimos concluir essa Ultramaratona pelo Caminho da Fé.

Vou relatar aqui por partes. Como corri 5 trechos, irei dividir os relatos em 1 por trecho, já que são muitos detalhes para contar...

Começo amanhã!

Aguardem notícias.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Um balanço de 2009

Mais um ano se passou! Desde que comecei a correr, em 2000, esse foi o melhor ano de todos...

O ano começou com a tradicional Corrida de São Sebastião, mas foi uma corrida só para cumprir tabela. Fiz mais por causa da tradição da corrida, já que foi minha primeira 10k da vida, em 2004. O motivo para fazer a SS burocrática foi o que aconteceria 3 dias depois: BR 217, uma Ultramaratona de revezamento. Mas como éramos em 3, cada um teria que correr uma média de 72,33km. Acabei correndo 71,74k. Não foi minha primeira Ultra, mas foi a que primeiro me inscrevi. Ela gerou todas as outras que fiz, a primeira em Novembro de 2008. Durante essa corrida duas amizades cresceram bastante: Alexandre e Peter! Devo a eles meu ingresso no mundo das Ultras, e devo ao Marcio Villar meu treinamento para isso... Carlos foi um super amigo, que encarou como poucos o desafio de ser apoio durante a corrida. E deu show.

Depois da BR, nada mais natural que um descanso. Só voltei às competições em Março, com o Circuito das Estações da Adidas. O mesmo se repetiu em Julho, Novembro e Dezembro. Na última eu bati meu recorde, fazendo meu primeiro 10k sub 50’ (49’59”). Essa corrida é a mais cheia aqui no Rio, só perdendo para a Meia Internacional. Pra mim já deu, não pretendo fazê-la em 2010.

Ainda em Março, fiz pela segunda vez a Corrida do Corpo de Intendentes da Marinha, uma corrida de 6k, onde bati meu recorde oficial dos 6k, com 30’11”. Abril foi quando finalmente entrei para uma acessoria de corrida. Escolhi a Run4Fun e tive o prazer de ter não só um treinador, como um amigo: Manuel Lago, um grande parceiro de corridas longas. Em abril também teve a Corrida Claro Rio em Movimento, de 8k, dentro do Jockey Club do Rio de Janeiro, na pista de cavalo!

Quatro dias depois era hora de cair na estrada de novo com o Alexandre. Rumamos para São Paulo, para correr a Meia Maratona da Corpore. Um mês depois era hora de fazer novamente a Eco Run, mais uma das várias corridas de 10k que existem no Rio.

Em meados de maio resolvi fazer mais uma Meia. E não é que essa foi a minha melhor? Bati mais um recorde na Meia Maratona da Barra, fazendo ela abaixo de 2h (01h54’43”). Ainda em Maio corri onde estudo, fiz a Volta da UFRJ e tive o prazer de correr com um grande amigo de infância (Pulga) e meu orientador (Chico).

Uma semana depois fiz o que tornou a minha grande paixão: uma MARATONA. Até então só tinha corrido 2, uma em 2003 e outra em 2008, ambas no Rio. Dessa vez fui para São Paulo, novamente com o Alexandre. Foi meu recorde, mas ele foi batido logo em seguida, pois tinha escolhido fazer a Maratona do Rio um mês depois. E essa decisão acabou me fazendo tentar entrar para o Marathon Maniacs.

Antes da Maratona do Rio tinha uma 10 Milhas (16,09k), onde novamente bati meu recorde: 1h28’29”.

Na Maratona do Rio, realizada em Junho, encontrei pela primeira vez com os Marathon Maniacs brasileiros, mas eu ainda não era um. Essa foi a minha melhor Maratona, com 4h47’08”. O tempo ainda está alto, podendo, e devendo, ser baixado em 2010.

Em Julho só a já citada da Adidas. Chegou Agosto, meu mês preferido, já que nasci nele em 1983. Abri o mês com uma corrida de 10k na areia da Barra da Tijuca, mas o melhor do mês estava por vir: K42 de Bombinhas. Fui para SC correr minha terceira Maratona do ano, o que me credenciava ao Marathon Maniacs. Lá minha amizade com os MMs brasileiros aumentou. Pensa que foi fácil? Era uma Maratona em trilhas e praias.

Acabou Agosto? Nada disso! Ainda tinha mais uma Ultra de Revezamento em Trio, em São Francisco do Sul – SC, mas nessa a distância percorrida por cada corredor não passava dos 42k, já que era uma Ultra de 90k, mas foi uma experiência única, pois tive o prazer de correr com dois grandes corredores da minha equipe: Manuel Lago, já citado, e Breno.

No primeiro domingo de Setembro, uma semana depois de São Chico, era vez da tradicional Meia Maratona do Rio, onde tive o prazer de correr com grandes amigos que fiz nas corridas. Mas o melhor de Setembro viria uma semana depois: fui aceito para correr com Dean Karnazes, um dos meus ídolos na corrida. Fui pela terceira vez para SP correr 24h com ele. Ele correu 150k, eu consegui acompanhá-lo durante a metade, somando 75k. O cara é fantástico, minha admiração por ele só aumentou...

Depois do Desafio Dean Karnazes, teve o Desafio Praias e Trilhas, ocorrido no final de Outubro, novamente em SC. Dessa vez fui para Florianópolis correr 84k, sendo uma Maratona por dia, e como no nome diz foram inteiramente em praias e trilhas. Foi muito difícil, mas pela primeira vez na vida me senti superando meus limites... Novamente quem me acompanhou nessa foi o Manel.

Novembro foi inteiramente destinado às Maratonas e Ultras. Resolvi fazer 3 corridas no mês: 2 Maratonas e uma Ultra de 24h. A primeira Maratona foi em Búzios, balneário fluminense. Concluí a corrida no limite do tempo. A dificuldade maior era por ser uma corrida cross-country. Uma semana depois rumei para Curitiba, fazer a Maratona de lá. Quase bati meu recorde, mas como caiu uma tempestade, meu tempo foi atrapalhado. Em cada maratona que eu ia, lá encontrava vários amigos de vários estados, na sua grande maioria MMs como eu. Mas a maior corrida que já fiz aconteceu uma semana depois. Resolvi encarar pela segunda vez a Ultra Rio 24h e pela primeira vez na vida consegui ultrapassar a barreira dos 100k. Concluí as 24h com 103,6k.

Ainda faltava um mês para acabar o ano e resolvi pegar leve. Fiz duas corridas: a já citada corrida da Adidas e a Subida do Cristo. Essa foi uma corrida de confraternização, onde não importava o tempo e sim o entrosamento entre os amigos corredores. Essa foi a 25ª corrida do ano e também a última.

Por mais que tenha feito mais corridas de 10k do que Maratonas, considero esse como o meu ano das Maratonas. Somando as Maratonas com as Ultras, as corridas de longa distância ganham da 10k de 9x8.

2009 foi um ano perfeito! E o melhor de tudo é que 2010 promete ser um ano ainda melhor, pois marcará minha estréia em provas internacionais, mas isso é assunto para um post futuro.

Segue uma tabela resumo do que fiz em 2009!

Distância - Quntidade

10k - 8
Maratona - 5
Ultramaratona - 4
Meia Maratona - 3
30k (90k em Trio) - 1
10 milhas - 1
12k - 1
8k - 1
6k - 1

Muito obrigado a todos os amigos que me acompanharam nessa jornada em 2009. Que tenham um 2010 maravilho! Nos vemos nas corridas por aí!

Em 2010 comemoro 10 anos de corrida!

Um forte abraço,

Rodrigo Damasceno

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

6º Revezamento São Francisco do Sul - SC


Sábado dia 29 de Agosto,

lá estava eu novamente em Santa Catarina, dessa vez em São Francisco do Sul, pronto para correr mais uma. Dessa vez nada de Maratona, era um Ultra de revezamento que iríamos fazer em trio: Eu, Manel e Breno, todos da equipe Run4Fun Mizuno daqui do Rio de Janeiro. Manel é o próprio treinador da equipe e consequentemente meu treinador. Cada um correria aproximadamente 30km. Dos 90 corri 29,7km.

São 15 trechos, 5 para cada um, variando de asfalto, estrada de terra, paralelepípedo, praia, travessia de rio e trilho de trem. Cada piso com a sua dificuldade. Corri todas as variações de terrenos possíveis, incluindo um rio que ia até a altura do pescoço.

Consegui bater meu recorde pessoal nessa corrida. Consegui fazer meu melhor pace médio em um trecho. Fiz 6km em 00:28:09, o que deu um pace médio de 00:04:42. O que foi excelente. Seguem minhas parciais:

Trecho

Distância

Tempo

Pace

3

6,0

00:28:09

0:04:42

6

5,3

00:27:21

0:05:10

9

7,0

00:46:43

0:06:40

12

7,1

00:42:41

0:06:01

15

4,3

00:23:33

0:05:29

Soma

29,7

2:48:27

0:05:40



Resumo dos trechos:

3- Terra batida e paralelepípedo

6- Praia com travessia de Rio e asfalto

9- Praia

12- Terra batida e trilho de trem

15- Terra batida, asfalto e paralelepípedo

Foi uma corrida muito boa, que só teve um erro grave: o não cumprimento do regulamento por parte dos organizadores. Caso alguma equipe perdesse o bastão de revezamento, esta seria punida com acréscimo de 15min. Várias equipes perderam e isso não foi realizado. Não houve punição. Nossa equipe não perdeu e ficaria algumas posições acima de o regulamento fosse seguido.




Completamos os 90km em 7h15’55”. Ficamos na 19ª posição geral e em 9º na Categoria Trio Masculino.

Na cerimônia de premiação ainda fomos sorteados e garantimos uma vaga para correr a Volta a Ilha 2010, quero muito participar, mas minha preferência é a Maratona de Londres, no mesmo dia.

Muito boa essa corrida, recomendo a todos que a corram ano que vem! Costumo ser bairrista, mas as corridas de Santa Catarina estão se tornando gratas surpresas. Mas não troco a Meia-Maratona Internacional do Rio, que acontecerá domingo agora, e a Maratona da Cidade do Rio de Janeiro, por nada desse mundo.

Vamos correr! Essas semanas estão mais agitadas do que nunca!