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terça-feira, 20 de novembro de 2012

2012, um ano para esquecer!

Ainda falta mais de um mês para o fim do ano, mas mesmo assim os 11 meses que passaram credenciam 2012 como o pior ano no que diz respeito à corrida. No resto o ano se salva, principalmente na parte profissional, que vai muito bem.

Mas agora vamos aos fatos:

1) Era para abrir o ano com a Ultramaratona BR 135, de 135 milhas (217km) em plena Serra da Mantiqueira já em janeiro. Mas como achei que não conseguiria terminar a mesma fui obrigado a desistir ainda em dezembro de 2011. Foi uma decisão sábia, mas dura.

2) Por motivos logísticos fui obrigado a desistir da Maratona de Bombinhas (K42) em agosto. O voo que comprei de volta mudava constantemente de horário e como tinha compromisso no Rio no dia após a corrida, não conseguiria correr e ir para o aeroporto em tempo hábil.

3) Já com a inscrição paga, optei por desistir da Maratona de Chicago (uma das 5 Majors) em outubro para correr a Maratona de Nova York um mês depois. Triste acompanhar uma corrida pela internet e ver que você deveria estar lá.

4) Nova York! O que falar dessa Maratona? Mesmo não estando nem perto do meu auge, fui para correr a Maior Maratona do Mundo em novembro. Programei uma viagem de 5 dias unicamente para correr a prova, conhecer um pouco a cidade e voltar. Mas a Prova foi cancelada já quando eu estava lá. Isso tudo graças à passagem do Furacão Sandy, que devastou parte da Costa Leste dos EUA.

5) Búzios! Uma Maratona muito querida por mim. Até então tinha participado das primeiras 3 edições. Mas como a mesma foi uma semana depois da minha volta dos EUA e estou trabalhando no Ceará, não consegui ir até o Rio correr a mesma.

Tirando a BR 135, em todas eu já estava inscrito. Só com Chicago e NY (que ainda não decidiu se transferirá o valor pago para 2013) foram mais de 500 dólares de prejuízo com inscrições.

Agora me resta esquecer esses percalços, olhar para frente e torcer para 2013 ser um ano bom de corridas.

Abraços e boas corridas!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

BR217 Parte Final - Da Barraca da Consolação até Paraiópolis! 217k corridos por duas pessoas em 35h41min!

É a hora do Capítulo Final! Faltam 18km para linha de chegada! Pouco se fosse considerado uma corrida isolada, mas depois de 199km, esses 18k pesam.

A saída do último trecho foi na Barraca de Consolação. Saindo da Barraca logo se enfrentava uma pequena subida. Fiz esse trecho ano passado, e o tinha começado a correr por volta de oito da noite. Dessa vez eu estava algumas horas adiantados, já que ainda não era quatro e meia da tarde.

Esse é um dos trechos mais difíceis da corrida e ainda teve uma complicação a mais: uma das pontes tinha caído por causa das fortes chuvas que tinham caído na semana anterior. Fomos informado que teríamos que atravessar uma pinguela, mas uma ponte alternativa foi construída, e na hora de achá-la me perdi um pouco. Acabei correndo 1km a mais do que o necessário. Após atravessas a ponte tinha duas opções: direita ou esquerda. Acabei optando erradamente pela primeira opção. Mas dessa vez percebi o erro mais cedo e reparei onde estava a marcação correta.

Alguns km mais a diante, pude encontrar com o carro de apoio. Aproveitei para reabastecer e segui viagem. O carro ainda seguiria comigo por mais alguns km, mas eu achava que ele poderia me acompanhar até o fim. Esse foi um grande erro de estratégia, pois quando não foi mais possível ter o apoio eu estava com a minha mochila de hidratação pela metade.

Não deu outra! Um pouco além da metade do caminho eu já sem água e sem ter onde abastecer. Isso me fez reduzir em muito o meu ritmo. Já não corria nem no plano. Não podia gastar a água do corpo, pois não teria como repor. Minha grande sorte foi ter passado por uma fazenda que tinha uma bica de água. Não posso dizer se era potável ou não, mas parecia limpa. Não pensei duas vezes: entrei na fazenda e reabasteci minha mochila. Agora teria mais 2L de água, o que era mais do que o suficiente. Finalmente pude voltar a correr.

Chegando perto de Paraisópolis começou uma rápida descida. Porém a cidade fica no alto de um monte e tudo o que desci logo depois tive que subir. Assim que cheguei no ponto mais alto o último morro (era uma serra) começava a derradeira descida. Mais algum tempo já estava dentro da cidade. Já não era mais estrada de terra.

Era só correr para o abraço. Só faltava 1km. Quando faltavam 500m encontrei o João e o Victor. Como eu estava num forte sprint final pedi que eles me seguissem. Assim o fizeram. Cruzamos a linha de chegada com 35h41min. Conseguimos acabar antes do anoitecer. Nunca senti tanta alegria ao acabar uma corrida. Gritei e chorei muito.

Recebemos a medalha ali mesmo. Junto com ela uma camiseta de Finisher.

Agora era hora de jantar, tomar um bom banho e dormir! No dia seguinte voltaríamos ao Rio, onde a vida voltaria ao normal...

Essa foi a maior aventura da minha vida até então! Digo até então, pois pretendo viver várias aventuras maiores, incluindo a BR135 solo, algo que pretendo fazer ano que vem.

É isso! Com esse relato acabo, com um mês de atraso, a minha epopéia da BR217. Que venham muitas outras corridas nesse ano, que mal começou e que promete muito!

Grande abraço,

E até a próxima, que está mais próxima do que vocês podem imaginar!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

BR217 Parte 5 - De Borda da Mata até a Barraca de Consolação

Acabou o Carnaval e por isso volto aos meus relatos! Tinha prometido acabar isso antes do Carnaval, mas a folia me impediu. E como agora estarei muito ocupado, ou escrevo agora, ou essa aventura vai ficar sem um relato final... Vou relatar aqui o penúltimo e o último trecho do João e o meu penúltimo.

O João voltou a correr em Borda da Mata e iria correr até Tocos do Mogi. Porém tinha uma chance de a estrada estar impedida para o carro e ele teria que correr sozinho até Estiva, o que dava um total de 39km. Isso no final de uma corrida era muito, mas seria algo que poderia acontecer.

Assim que ele começou a correr a chuva aumentou. Choveu ainda mais comparando com o que choveu enquanto eu corria. Como teria que encontrá-lo em Tocos e obrigatoriamente teria que passar por Estiva, lá fui eu dirigindo o carro até Estiva. O trajeto passava por Pouso Alegre,e como não agüentava mais dirigir, optei por parar o carro para descansar. Escolhi o melhor lugar que achei, que era um posto de gasolina bem movimentado no centro da cidade. Dormi por um pouco mais de duas horas. Não sei quanto tempo foi ao certo, mas acordei no susto, pois era hora de encontrar o João.

Algum tempo depois chegamos em Estiva e perguntamos se era possível chegar até Tocos do Mogi. Era! Ou seja, teríamos que ir até lá. Mas primeiro resolvi tomar um banho. Já passava de 24h de prova e eu ainda não tinha tomado banho. Banho tomado, espírito renovado! Agora era partir para Tocos de Mogi.

Meu medo era que o João já estivesse passado pela cidade há um tempo, então resolvi acelerar o máximo que a estrada de terra permitia. Encontramos ele 1km além da cidade, o que era ótimo, pois ele não tinha extrapolado o limite dele. Combinamos que ele me encontraria uns 4km adiante, para que eu repusesse meu estoque de água e Gatorade. Já tinha mais do que isso e nada deles. Resolvi pedir para um carro que passava que acordasse eles, para que eles pudessem me apoiar. Ainda bem que tomei essa decisão, senão eu teria corrido todo o trecho e eles teriam ficado por lá. Nada que nos atrapalha-se, já que a exaustão nessa hora era muita e já contávamos com ela.

Meu trecho seria de 21,7km. Já tinha corrido muito e ainda tinha uma Meia Maratona pela frente. Eles foram me acompanhando por todo o tempo (ainda bem que não voltaram a dormir!!!). A estratégia era dar uns km de vantagem e encontrar o carro de apoio depois. Num desses intervalos em que eu corria sozinho encontrei uma cobra! Mas ela estava morta, provavelmente atropelada, mas não quis ter certeza e tratei de voltar a correr. Na verdade voltei a andar, já que era uma ladeira bastante íngreme.

Depois que você chega no alto do último morro (eram vários), há uma descida de aproximadamente 4km, depois uma subida por alguns metros e o último km te levava para Estiva. Esse trajeto eu já conhecia, pois era exatamente o meu penúltimo trecho da BR do ano passado. Dessa vez também era meu penúltimo trecho e a vontade de terminar me fez descer a toda! Corri nesse trecho mais do que corri em toda a corrida. Dei aquele spint final, mesmo Estiva não sendo a linha de chegada. Mas foi gostoso chegar na cidade a toda e terminar meu quarto e penúltimo trecho.

Agora era vez do João correr novamente! Enquanto isso me pesei e fiz um teste de urina. Ambos foram bons! Poderia voltar a corrida. Fizemos um rápido almoço e voltamos à estrada. O João teria agora 25km pela frente e eu mais 18.

Como demoramos um pouco no almoço e na pesagem, só o encontramos novamente no km11, no alto de uma longa subida. Repomos o que faltava, e combinamos de encontrá-lo mais a frente. Isso foi feito e repetido algumas vezes. Na última vez acabamos cochilando e acordamos algum tempo depois. Como já estávamos perto da cidade de Consolação bateu o desespero. Era a penúltima cidade e eu trocaria com ele um pouco mais a frente, na famosa Barraca de Consolação, para os derradeiros 18km.

Encontramos com ele um pouco além da cidade, mas ainda longe o bastante da Barraca. Demos o último apoio e marcamos a troca para a Barraca, já que eu seria o responsável pelo último trecho. Comecei a preparar as minhas coisas e alguns minutos depois lá estava ele. Era hora de voltar a correr o que seriam os últimos quilômetros da prova. Nem precisa dizer que a adrenalina estava nas alturas.

Que venha a última serra que nos levaria até Paraisópolis...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

BR217 Parte 4 - De Crisólia até Borda da Mata

Tudo estava pronto para os nosso terceiros trechos. Passei a vez para o João em Crisólia e me preparei para seguir viagem, mas não sem antes tirar uma foto em frente a Igreja da cidade. Me arrumei e seguimos rumo à estrada, onde encontraríamos o João. Andamos alguns quilômetros e percebemos que ele não estava no caminho. Logo resolvemos voltar para começar a nossa caça, mas antes de chegar de volta à cidade, o encontramos já o caminho certo. Ele tinha errado uma seta ainda dentro da cidade e se perdeu por quase 1km, o suficiente para que não o víssemos. De volta ao caminho certo, agora era só seguir adiante

A próxima parada seria Ouro Fino, cidade que ficou famosa graças a uma música do Sérgio Reis (“Menino na Porteira” – “Quando eu viajava na Estrada de Ouro Fino, de longe eu avistava a figura de um menino”). Disse para mim mesmo que iria tirar um foto em frente à estátua que fica na entrada da cidade, mas devido à pressa para que não nos perdêssemos, pelo segundo ano seguido isso não foi possível! Ano que vem eu tiro! Ouro Fino fica a somente 6,4k de Crisólia. Próxima parada agora era Inconfidentes.

Aqui cabe um parêntese: (os atletas era pesados em alguns postos de apoio e não poderia perder mais de 7% de seu peso. Caso a perda fosse de 5%, o atleta seria avaliado e liberado ou não.)

Como o João já tinha sido pesado e tinha perdido mais de 5% de seu peso, combinamos que trocaríamos de lugar para que eu fosse pesado. Como esperávamos ser pesados no PA de Inconfidentes, trocamos de posição antes do local previamente combinado para que não corrêssemos o risco de uma eliminação precoce.

Mas acabou que não fui pesado no PA. Nova pesagem somente em Estiva e nesse ponto seria exatamente na hora que eu estaria correndo, não precisando assim de trocas antecipadas.

Ao passar pelo ponto de apoio e ter meu tempo anotado segui diretamente para o caminho. Tinha que correr pela estrada de asfalto por 1km até uma entrada para uma estradinha de terra. Nessa hora começou a chover e a estrada, onde não poderia passar o carro de apoio, ficou completamente intransitável. Era impossível correr. Corri mal e porcamente até a primeira subida íngreme, onde encontrei um carro desavisado completamente atolado.

Vale lembrar que comecei esse trecho 23h34min. Ou seja, além da dificuldade natural do trajeto, não tinha nenhuma iluminação a não ser aminha lanterna de cabeça e a faixa refletiva, que não refletia nada, pois não tinha nenhuma luz voltada para ela.


Segui no meu misto de caminhada e trote, já que era impossível correr, por alguns quilômetros, até avistar algo que marcaria bastante a minha corrida!!!

No meio do caminho tinha um boi ou touro. Não sou um apaixonado por boi, sempre tive receio de passar perto de um. No Desafio Praias e Trilhas do ano passado dei uma travada frente à uma vaca, mas acabei seguindo em frente, pois já tinha aprendido que ao se assustar o bicho, ele sai do caminho. Pois foi isso que fiz. Comecei a gesticular e a gritar! Mas reparei que o bicho não se mexia e não parava de me encarar! Resolvi pegar a estaca de sinalização e comecei a movimentá-la na esperança de que o boi saísse do lugar, mas nada! Resolvi seguir em frente. O que aconteceu? O boi avançou! Como não parei de mexer a estaca, ele não atacou, mas isso fez com que eu travasse e desistisse de avançar.

Ainda bem que alguns minutos depois (não sei precisar quantos, mas foi entre 5 e 15) surgiu o Wagner. Assim que o avistei fiz a seguinte pergunta: “Tem medo de boi?” Ao ouvir uma resposta negativa o avisei: “Mas esse é bravo, quase avançou em mim!”. Sua resposta: “Basta andar e dar uns gritos que ele sai”. Como disse que já tinha feito, ele falou para segui-lo. Foi o que fiz. Quando estávamos exatamente ao lado do boi o que ele fez? SIM, ele avançou de novo, como estávamos a menos de 3 metros dele, nos apavoramos. Pelo menos posso garantir que EU me apavorei. Ele chegou a menos de 1m da gente. Tivemos que recuar. Uma segunda tentativa de passagem foi realizada e não deu certo. Éramos duas pessoas tentando passar por dois bois (só um nos atacava) e só estávamos perdendo tempo! A solução foi pular uma cerca de arame farpado que separava a estrada onde estávamos do pasto. Ao pularmos não encontramos nenhum boi, e voltamos alguns metros mais a frente, já a salvos do boi, que não parava de nos encarar. Se fosse de dia, certamente teria tirado uma foto do boi que me fez percorrer 1km em 25min, mas como era de noite e não estava carregando a máquina (não quero nem imaginar o que o flash faria com esse boi) o boi segui sem ser registrado. No final da corrida descobri que esse boi atacou mais algumas pessoas. Mais uma surpresa que o caminho nos brindava. Correra BR sem emoção não tem graça.

Depois do boi o trajeto seguia por mais alguns quilômetros. Fui caminhando pelo restante do percurso junto com o Wagner. A chuva só aumentava e era cada vez mais difícil andar! Correr ou trotar era impossível. A melhor coisa que fiz foi ter arranjado uma companhia, pois a pilha da segunda lanterna que eu estava usando, e que tinha acabado de trocar, acabou. Como o Wagner tinha lanterna, filei a dele e seguimos conversando e caminhando. Quando chegou na cidade de Borda da Mata, onde eu encontraria com o João Paulo e ele seguiria a corrida solo, resolvi caminhar junto com ele até a praça central onde sua família o esperava. Depois de usar a lanterna dele como guia não poderia deixá-lo para trás. Seria o cúmulo da falta de consideração.

Foi um prazer acabar aquele trecho, que não teve nada de prazeroso. Acabei os 20,1k em 4h17’. Foi um tempo horrível, mas considerando a chuva, o terreno e principalmente o boi, achei o tempo maravilhoso. Era a vez do João correr. Tão logo ele começou a correr e a tempestade caiu de vez. Só iríamos encontrá-lo novamente em Tocos do Mogi, isso se a estrada deixasse, mas aí já é o próximo trecho.

Volto em breve para contar o penúltimo capítulo dessa longa história. Prometo acabar de contar tudo até o Carnaval. Até porque meu Carnaval é sagrado e 1 semana depois da quarta feira de Cinzas, quando espero que a Vila sagre-se campeã, embarco para a Europa no meu Projeto Europa que será muito comentado aqui.

Um grande abraço.

OBS: com esse terceiro trecho dos dois completamos 134km de prova. Ainda faltavam 83km, uma Maratona para cada!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

BR217 Parte 3 - Do Pico do Gavião ate Crisólia

Quando passei a bola para o João, sabia exatamente o que ele iria enfrentar. Foi justamente o meu primeiro trecho no ano passado. Teria que primeiro passar por Andradas e depois subir até Serra dos Limas. Não era possível acompanhá-lo no primeiro trecho, em virtude da estrada de terra ainda estar molhada, possibilitando o atolamento. Resolvemos esperá-lo em Andradas, onde aproveitei para lanchar, trocar de roupa e descansar. Algum tempo depois ele surgiu, e o seguimos, já que nesse trecho poderíamos acompanhá-lo.

Era um trecho cheio de subidas e descidas de aproximadamente 15k. Ano passado foi o pior trecho da prova para mim, pois chovia muito e a estrada mal dava para andar, quanto mais correr, mas esse ano a estrada tinha sido concertada e estava ótima. Após andarmos juntos por uns 10k, resolvemos seguir em frente, pois eu logo teria que voltar a correr. Ele ficou para trás sem apoio e combinamos nos encontrar em Serra dos Limas.

Assim que o Victor e eu chegamos, fui logo comendo a macarronada que os atletas têm direito. Depois usei um banheiro limpo, e fui me preparar para correr. Como já estava no final da tarde, me preparei para correr no escuro, com a lanterna de cabeça (headlamp) e a faixa refletiva, ambos obrigatórios no período noturno. Me abasteci de água na mochila e Gatorade na garrafa de mão. Esperei o João chegar e comecei o meu segundo trecho.

Detalhe que eram 17h50 e no ano anterior estávamos no mesmo ponto aproximadamente à Meia Noite. Foi aí que percebi pela primeira vez que estávamos bem adiantados em relação à mesma corrida no ano passado.

Comecei a correr por uma tremenda subida. 4k depois estava em Barra, um pequeno bairro. Lembrei bastante desse lugar, pois foi aonde perdemos o Peter ano passado. Tinha uma seta para a esquerda, mas como estava muito escuro ele não viu e seguiu para a direita. Isso nos custou 7km rodados à toa. Passei pela seta em questão pintada em frente à Igreja e tirei uma foto para mostrar para o Peter. Sentado na escada da Igreja estava meu grande amigo Seabra, que ano passado tinha feito a BR solo e esse ano estava trabalhando como voluntário na organização.

Um pouco mais a frente tinha um rio, que para passar tinha 2 alternativas: ou molhava-se o pé, ou andava com muito cuidado por uma pedras que tinham que possibilitavam a passagem. Escolhi a segunda opção, o que foi ótimo, já que por causa do cuidado que tinha pude perceber a presença de uma fonte de água natural, onde pude me reabastecer, visto que não teria apoio ao longo desse percurso.

Precisamente às 20h começou a escurecer, e ainda restava pelo menos uma hora de corrida para mim. Liguei minha lanterna e segui viagem. Um pouco mais a frente comecei a cruzar com os carros de apoio de outros corredores. O terceiro carro a passar era o meu! Ele me seguiria até perto de Crisólia, onde acabaria meu trecho. Ainda bem que o carro estaav por perto, visto que a minha headlamp apagou justamente quando não existia mais luz natural. Se o carro não estivesse por perto, eu teria que seguir no breu.

Troquei de headlamp e segui viagem. Já era possível avistar Crisólia. Na praça principal da cidade, que parecia ser a única, encontrei com a minha equipe. Era hora de parar de correr. Passei novamente a Bola para o João. Cada um já tinha feito 2 trechos, o que totalizava até o momento 97k em 13h de corrida.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

BR217 Parte 2 - De São João da Boa Vista até o Pico do Gavião

O sábado começou cedo. Às 6h da manhã já estava tomando café da manhã. Às 7h já tinha saído do hotel e logo depois estava na praça central de São João da Boa Vista para iniciar essa que seria a maior corrida da minha vida até então.

Na praça encontram-se todos os que iriam enfrentar solo os 217km, assim como as duplas e trios. Além dos atletas, as equipes de apoio se aglomeravam na rua, que estava fechada. Um pouco antes da largada é tocado o hino nacional e todos se posicionam para a largada. Como iria correr o segundo trecho, me posiciono num local onde é possível acompanhar a largada, que é dada pontualmente às 8h.

Esse primeiro trecho tinha 18km, e a chegada seria em Águas da Prata, cidade do interior paulista. A corrida em si não tem ponto oficial de troca, mas optamos por fazermos o revezamento nas cidades, evitando assim problemas caso o carro de apoio não pudesse acompanhar.

Victor, o nosso apoio, e eu dirigimos até Águas da Prata para esperar o João Paulo. Como esse trecho, assim como todos os outros, era bem acidentado, esperávamos que ele chegasse com 3h de prova, mas antes disso lá estava ele, o que significava que era minha vez de correr.

Meu trecho era divido em 2 sub-trechos: o primeiro era de 13,3k, entre Águas da Prata e a base do Pico do Gavião, já em Minas Gerais, e o segundo é a subida e descida do Pico do Gavião, ponto mais alto da prova com 1600m, cada uma com 5k, o que dava um total de 23,3km.

Já no início percebo que a estrada de terra está bastante castigada por conta das fortes chuvas que não paravam de cair. Até sábado, todo dia da última semana tinha chovido. Já passava de 11h da manhã e a chuva não ameaçava. Esses primeiros 13,3k seguem tranqüilos, sem muita dificuldade, até que chego à base do Pico. Lá encontro algumas equipes de apoio que me incentivam a subir. Começo a subir correndo, mas percebo que seria impossível, e começo a subir andando logo depois de 200m. A subida não é fácil e a maior parte dela, como de toda prova, é numa estrada de terra. Na metade da subida há uma descida, mas ela acaba logo e a subida logo volta a assustar. Mas tudo vale a pena quando se chega lá em cima e se aprecia aquela vista maravilhosa.

Agora só restavam 5k de descida. E como eu adoro descida! Começou a descida e também começou a corrida. Não parei de correr por toda a descida, a não ser no que falei ser a descida enquanto subia, já que nesse caso seria uma subida. Foram 5k bem rápidos para uma Ultramaratona. Em menos de 30min estava eu novamente na base. Dessa vez a base estava com muito mais carros de apoios. Dentre os carros está o meu. Passo a bola para o João Paulo correr e resolvo descansar um pouco.

Primeiro de 5 trechos finalizado! Terminei os 23,3km em 3h03’44”

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

BR217 Parte 1 - A Pré Corrida

Quinta feira, dia 21 de Janeiro de 2010, 7h30, lá estou eu dentro de um ônibus rumo a São Paulo.
6 horas depois chego em São Paulo e pego o metrô para encontrar minha dupla, o João Paulo Conrado. Junto com ele está seufilho, o Victor. Colocamos minhas coisas dentro do Dobló, alugado por nós e partimos rumo a São João da Boa Vista, interior de São Paulo, onde seria a largada da prova no sábado.
Chegamos no fim do dia, mas ainda a tempo de jantar e pegar o kit da corrida. O kit continha: uma camisa da BR217 em dupla (verde), 1 livro do Valmir Nunes, 1 cobertor de emergência, 1 faixa refletiva, alguns apitos, 1 estaca de localização, entre outras pequenas coisas...
Nesse dia já tinha encontrado grandes amigos, como os Diretores da Prova, Eliana e Mario Lacerda, Seabra, e outros colegas que fizeram a BR no ano passado.
Após pegarmos o kit nos recolhemos ao nosso hotel, pois no dia seguinte às 8h seria a reunião técnica.
Pontualmente às 8h estamos lá prontos para a corrida. Lá descobrimos que o carro de apoio não poderia acompanhar o atleta em vários trechos, o que tornaria a corrida ainda mais difícil. Isso mudou toda a estratégia, e aí decidimos que cada um faria trechos de aproximadamente 20km.
Nessa reunião encontramos outros muitos amigos. como Marcio Villar, que tinha acabado de correr a BR135 de trás para a frente e iria encarar mais 217km no dia seguinte, totalizando 434km. Outros que encontro: Rafael Bonnato, Alberto Peixoto, Maria Ritah, Fabiola, Gustavo Abade, Alexei, Emerson Bizan, entre muitos outros...
Ao final do dia, vamos dormir, para relaxar, já que no dia seguinte começaria uma aventura de 217km em dupla.
Detalhes da largada e primeiro trecho amanhã...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Um balanço de 2009

Mais um ano se passou! Desde que comecei a correr, em 2000, esse foi o melhor ano de todos...

O ano começou com a tradicional Corrida de São Sebastião, mas foi uma corrida só para cumprir tabela. Fiz mais por causa da tradição da corrida, já que foi minha primeira 10k da vida, em 2004. O motivo para fazer a SS burocrática foi o que aconteceria 3 dias depois: BR 217, uma Ultramaratona de revezamento. Mas como éramos em 3, cada um teria que correr uma média de 72,33km. Acabei correndo 71,74k. Não foi minha primeira Ultra, mas foi a que primeiro me inscrevi. Ela gerou todas as outras que fiz, a primeira em Novembro de 2008. Durante essa corrida duas amizades cresceram bastante: Alexandre e Peter! Devo a eles meu ingresso no mundo das Ultras, e devo ao Marcio Villar meu treinamento para isso... Carlos foi um super amigo, que encarou como poucos o desafio de ser apoio durante a corrida. E deu show.

Depois da BR, nada mais natural que um descanso. Só voltei às competições em Março, com o Circuito das Estações da Adidas. O mesmo se repetiu em Julho, Novembro e Dezembro. Na última eu bati meu recorde, fazendo meu primeiro 10k sub 50’ (49’59”). Essa corrida é a mais cheia aqui no Rio, só perdendo para a Meia Internacional. Pra mim já deu, não pretendo fazê-la em 2010.

Ainda em Março, fiz pela segunda vez a Corrida do Corpo de Intendentes da Marinha, uma corrida de 6k, onde bati meu recorde oficial dos 6k, com 30’11”. Abril foi quando finalmente entrei para uma acessoria de corrida. Escolhi a Run4Fun e tive o prazer de ter não só um treinador, como um amigo: Manuel Lago, um grande parceiro de corridas longas. Em abril também teve a Corrida Claro Rio em Movimento, de 8k, dentro do Jockey Club do Rio de Janeiro, na pista de cavalo!

Quatro dias depois era hora de cair na estrada de novo com o Alexandre. Rumamos para São Paulo, para correr a Meia Maratona da Corpore. Um mês depois era hora de fazer novamente a Eco Run, mais uma das várias corridas de 10k que existem no Rio.

Em meados de maio resolvi fazer mais uma Meia. E não é que essa foi a minha melhor? Bati mais um recorde na Meia Maratona da Barra, fazendo ela abaixo de 2h (01h54’43”). Ainda em Maio corri onde estudo, fiz a Volta da UFRJ e tive o prazer de correr com um grande amigo de infância (Pulga) e meu orientador (Chico).

Uma semana depois fiz o que tornou a minha grande paixão: uma MARATONA. Até então só tinha corrido 2, uma em 2003 e outra em 2008, ambas no Rio. Dessa vez fui para São Paulo, novamente com o Alexandre. Foi meu recorde, mas ele foi batido logo em seguida, pois tinha escolhido fazer a Maratona do Rio um mês depois. E essa decisão acabou me fazendo tentar entrar para o Marathon Maniacs.

Antes da Maratona do Rio tinha uma 10 Milhas (16,09k), onde novamente bati meu recorde: 1h28’29”.

Na Maratona do Rio, realizada em Junho, encontrei pela primeira vez com os Marathon Maniacs brasileiros, mas eu ainda não era um. Essa foi a minha melhor Maratona, com 4h47’08”. O tempo ainda está alto, podendo, e devendo, ser baixado em 2010.

Em Julho só a já citada da Adidas. Chegou Agosto, meu mês preferido, já que nasci nele em 1983. Abri o mês com uma corrida de 10k na areia da Barra da Tijuca, mas o melhor do mês estava por vir: K42 de Bombinhas. Fui para SC correr minha terceira Maratona do ano, o que me credenciava ao Marathon Maniacs. Lá minha amizade com os MMs brasileiros aumentou. Pensa que foi fácil? Era uma Maratona em trilhas e praias.

Acabou Agosto? Nada disso! Ainda tinha mais uma Ultra de Revezamento em Trio, em São Francisco do Sul – SC, mas nessa a distância percorrida por cada corredor não passava dos 42k, já que era uma Ultra de 90k, mas foi uma experiência única, pois tive o prazer de correr com dois grandes corredores da minha equipe: Manuel Lago, já citado, e Breno.

No primeiro domingo de Setembro, uma semana depois de São Chico, era vez da tradicional Meia Maratona do Rio, onde tive o prazer de correr com grandes amigos que fiz nas corridas. Mas o melhor de Setembro viria uma semana depois: fui aceito para correr com Dean Karnazes, um dos meus ídolos na corrida. Fui pela terceira vez para SP correr 24h com ele. Ele correu 150k, eu consegui acompanhá-lo durante a metade, somando 75k. O cara é fantástico, minha admiração por ele só aumentou...

Depois do Desafio Dean Karnazes, teve o Desafio Praias e Trilhas, ocorrido no final de Outubro, novamente em SC. Dessa vez fui para Florianópolis correr 84k, sendo uma Maratona por dia, e como no nome diz foram inteiramente em praias e trilhas. Foi muito difícil, mas pela primeira vez na vida me senti superando meus limites... Novamente quem me acompanhou nessa foi o Manel.

Novembro foi inteiramente destinado às Maratonas e Ultras. Resolvi fazer 3 corridas no mês: 2 Maratonas e uma Ultra de 24h. A primeira Maratona foi em Búzios, balneário fluminense. Concluí a corrida no limite do tempo. A dificuldade maior era por ser uma corrida cross-country. Uma semana depois rumei para Curitiba, fazer a Maratona de lá. Quase bati meu recorde, mas como caiu uma tempestade, meu tempo foi atrapalhado. Em cada maratona que eu ia, lá encontrava vários amigos de vários estados, na sua grande maioria MMs como eu. Mas a maior corrida que já fiz aconteceu uma semana depois. Resolvi encarar pela segunda vez a Ultra Rio 24h e pela primeira vez na vida consegui ultrapassar a barreira dos 100k. Concluí as 24h com 103,6k.

Ainda faltava um mês para acabar o ano e resolvi pegar leve. Fiz duas corridas: a já citada corrida da Adidas e a Subida do Cristo. Essa foi uma corrida de confraternização, onde não importava o tempo e sim o entrosamento entre os amigos corredores. Essa foi a 25ª corrida do ano e também a última.

Por mais que tenha feito mais corridas de 10k do que Maratonas, considero esse como o meu ano das Maratonas. Somando as Maratonas com as Ultras, as corridas de longa distância ganham da 10k de 9x8.

2009 foi um ano perfeito! E o melhor de tudo é que 2010 promete ser um ano ainda melhor, pois marcará minha estréia em provas internacionais, mas isso é assunto para um post futuro.

Segue uma tabela resumo do que fiz em 2009!

Distância - Quntidade

10k - 8
Maratona - 5
Ultramaratona - 4
Meia Maratona - 3
30k (90k em Trio) - 1
10 milhas - 1
12k - 1
8k - 1
6k - 1

Muito obrigado a todos os amigos que me acompanharam nessa jornada em 2009. Que tenham um 2010 maravilho! Nos vemos nas corridas por aí!

Em 2010 comemoro 10 anos de corrida!

Um forte abraço,

Rodrigo Damasceno

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Meus sinceros agradecimentos!!!

Disse que faria isso até o fim da semana e estou fazendo! Gostaria de citar aqui todos que me ajudaram direta ou indiretamente nessa corrida.

Primeiramente gostaria de citar que pela primeira vez desde que comecei a correr, minha família compareceu em peso. Primeiro foi meu irmão, juntamente com a sua noiva, depois veio a minha mãe e o meu padrasto. E por último, mas não menos importante, veio o meu pai e a sua namorada. Nunca tive a presença de mais de um da minha família.

Desde abril desse ano eu entrei para a Run4Fun e se teve alguém que me apoiou em todas as minhas maluquices, esse alguém foi meu treinador Manuel Lago. Não só me apóia como muitas vezes corre comigo. Dessa vez ele foi lá, única e exclusivamente para me apoiar! Ele, Paulinho (outro treinador da Run4Fun, que também me apóia nas minhas maluquices) e a Luiza. Juntamente com a Run4Fun, a Street Runners me adotou, e me ajuda nos treinos. O Robson, treinador da equipe foi lá me ver junto com a Ana, a Lydia e o Vitão. Valeu Família Run4Fun e Street Runners.

Quem sempre me apoiou desde a minha inscrição da minha primeira Ultra foi o Marcio Villar, grande ultramaratonista brasileiro. Tive a honra de ser apoiado por ele. Junto com ele estava o Peter, meu parceiro de BR217. Grande Peter, fazia tempo que não nos víamos, mas nunca é tarde! Só faltou o Alexandre, mas ele não pode ir por um motivo muito justo, Sei que você estava pensando sempre nessa corrida! Valeu meu camarada!

Meus amigos Rodriguinho, Dungó e Rafael Lisboa foram me fazer uma visita. Não uma, mas duas vezes. Foram ao longo do dia e depois na chegada. Foi muito bom encontrá-los nessa prova duríssima.

O que dizer da Juliana, amiga de Curitiba, que ia correr a 10k do Rio no domingo e que me ajudou durante quase às 24h? Só posso dizer: MUITO OBRIGADO!

E só citei os que foram lá me ver! Pois muitos outros estavam lá e foram essenciais para a minha corrida.

Meu amigos Marathon Maniacs Hideaki, João Gabbardo, Nishi, Lu, Sant’ana Alberto e Elisete. Além do futuro Marathon Maniac Jorge Cerqueira, que toda hora me ligava para conversar sobre essa prova.

Tive o prazer de conhecer o Carlos Dias, que cruzou o Estados Unidos de costa a costa, somando mais de 5.000km! Uma simpatia...

Ana Levada! O que dizer dessa senhora paulistana, que acha que SP é melhor do que o RJ? É uma figura! A gente sempre se diverte “brigando”, fazendo com que os outros achem que é briga é de verdade! Lucina e Tomiko, a determinação de vocês me faz querer correr sempre mais...

Mario Lacerda e Eliana, o casal BR135, que estão sempre juntos durante a corrida! Até porque é mais fácil encontrar o Mario conversando com alguém, fazendo propaganda da corrida dele, ou mesmo fora da pista, do que correndo! Nesse ano consegui correr mais que ele! Só dessa vez!

Moacyr, o cara responsável pela edição do segundo livro do Dean Karnazes, que tive o prazer de conhecer durante a mesma corrida ano passado. Dessa vez ele estava apoiando um pessoal, e não deixou de me ajudar em momentos importantes da prova.

Herói Fung e Sergio Cordeiro, esses dois eu sempre admirei e tive o prazer de receber uma massagem de cada. O primeiro destravou o meu joelho e a minha coluna. O segundo me fez conseguir correr muito bem as últimas 2h. Vocês me salvaram.

Valeu André pela presença e pela força! Foi bom reencontrá-lo. Valeu Bonatto, foi um prazer encontrá-lo, mesmo que fora da prova. Parabéns pelo desafio Foz do Iguaçu Curitiba! Você é fera...
Seabra! Não é qualquer um que consegue correr 1.000km em 1 ano! Ainda estou longe disso. Parabéns! Falei que iria comemorar com você na linha de chegada e fiz isso.

Sylvia, a índia maluca, sempre dando uma força durante a prova! Se bem que tinha horas que ela estava doidinha, doidinha! Te adoro! Muito obrigado por tudo

Mônica Otero! Alexei! Emerson! Eu adoro reencontrá-los, e ter o prazer de correr junto com os 3 uma prova é um honra.

Ainda dividi a pista com o Da Guia, Luciano Prado, Débora Simas, Daniel Meyer, Jarom, Vanderley, Denise, Farinazzo, Milton Mizumoto, Maria Rita! Só fera! Mil perdões se esqueci alguém!

Isso só citando os que foram lá! Ainda tem um montão de gente que ficou torcendo de casa! Muito obrigado a todos. Vocês são fantásticos.

Valeu Corpore e Fuzileiros Navais pela organização primorosa!

Até a próxima!!

OBS: se ainda não leram o relato da prova, não deixe de fazer! E deixe um comentário!

OBS 2: sei que esqueci de alguém! Pode puxar minha orelha! Colocarei aqui a retificação.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

II Ultra Rio 24h dos Fuzileiros Navais - Minha maior e melhor prova! Sem comparação...

Esse fim de semana foi simplesmente maravilhoso! O que dizer de uma corrida que começa às 10h da manhã de um sábado e acaba às 10h da manhã de domingo? Nesse tipo de prova há os campeões, que são aqueles que rodam as maiores distâncias, e os vencedores. Todos são vencedores ao participar de uma prova dessas, independe da distância percorrida. O simples fato de ter se inscrito numa prova dessa já demonstra que você tem coragem.

E foi com essa coragem que na véspera da corrida me dirigi para a Escola Naval, local da prova e também do alojamento. Mesmo eu sendo do Rio, resolvi me alojar pela logística. Era mais fácil acordar no local da corrida do que ter que pegar um ônibus no sábado de manhã. Ao chegar lá, descubro que o alojamento seria um contêiner climatizado! Adorei a novidade! Teve quem se achasse uma sardinha em lata!

No começo da noite somos transportados da ilha de Villegagnon para a ilha das Cobras, local do Congresso Técnico e jantar de massas. Lá eles mostram um gráfico onde se vê que o número de inscritos saltou de 49 no ano passado (eu participei), para 160, com mais 30 na fila de espera. Após o congresso técnico o jantar e após o jantar, cama! Nunca tinha dormido dentro de um contêiner, talvez essa seja a minha única vez!
Meu alojamento

Às 6h da manhã de sábado eu já estava de pé. Resolvo tomar meu banho pré-prova e vou tomar o café da manhã! Pego o meu kit que vem com várias novidades. O boné é ao estilo legionário e ganhamos também aquecedores de pés e braços, semelhante ao que o Marílson usa em NY. Quem dera fizesse um tempo para usar. A previsão era de tempo quente com pouca chuva.

Na hora da largada estava chovendo, mas muito pouco. Cinco minutos antes da largada é tocado o hino nacional e às 10h em ponto começamos a correr. Agora era ter cabeça para agüentar 24h dando voltas numa pista de 400m. Meu recorde do ano passado e também minha única participação em provas do gênero era de 82km, ou 205 voltas. Minha meta era chegar nas 250 voltas, o que dá um total de 100km.

Encontrei vários amigos durante às 24h, uns dentro da pista e muitos fora dela. Não vou citar nesse post para que ele não fique muito grande, farei um exclusivo de citação/agradecimento. Prometo fazer ainda essa semana. Essa corrida de 24h promete vários posts.

Na primeira hora de prova consegui dar 22 voltas o que me colocou com uma velocidade inicial média de 8,8km/h. Algo lento comparado com uma corrida de 10k, mas muito rápido para mim, no que diz a manter por 24h. Na hora seguinte reduzi o ritmo para 16 voltas ou 6,4km/h. Nessas 2 primeira horas eu tracei a minha estratégia. Iria ficar na pista por 3 horas, depois faria uma massagem. A cada 3h também trocaria a camisa e a cada 12h trocaria de bermuda. (na verdade eu tinha levado 3 bermudas, mas só descobri lá que uma estava furada, então a troca que seria a cada 8h teve que ser adiada por 4h,e só foi uma troca). A estratégia da blusa também foi mudada. Comecei com a do Marathon Maniacs. Com 3h mudei para a regata da Run4Fun, minha equipe. Com 12h mudei para a outra regata da Run4Fun e a partir daí não troquei mais! Todas vez que trocava, eu dava 2 voltas e a camisa já estava encharcada, logo as trocas eram inúteis. Estava muito calor!



Ao final de 12h de corrida eu estava com 62km percorridos, 20k a menos do meu recorde e 38 do meu objetivo. Ou seja, era só ter cabeça e perna que eu conseguiria concluí-lo. Mais do que perna, eu teria que ter joelho! O meu estava doendo desde às 4 ou 5h de prova. No total eu tomei 2 anti-inflamatórios e fiz várias massagens para que a dor passasse. Com o tempo fui me acostumando com ela. Hoje, 2 dias depois da corrida, meu joelho está quase 100%. Aparentemente não foi nenhuma lesão. Vamos ver como ele vai ficar!

Fazendo massagem e careta!

Com 16h de prova, ou seja às 2h da manhã, meu corpo estava pedindo pelo amor de Deus por um descanso. Tinha prometido para mim mesmo que só iria dormir em último caso e esse caso tinha chegado. Eu estava com tanto sono que fechava os olhos nas retas e só abria nas curvas. Quase saí da pista com isso uma vez. Era hora de parar! Total percorrido: 76,8k, cada vez mais perto do meu recorde e da minha meta! Fui para o alojamento e exatamente 1h depois eu estava de volta à pista! Foi só nessa hora que eu troquei de bermuda! Minha estratégia de roupa já tinha ido toda para o buraco, mas a estratégia de paradas para massagem estava de pé ainda!





Continuo correndo e meu recorde vai se aproximando. Cruzo a 206ª volta às 4h40’40”! Essa foi a hora exata da quebra do meu recorde! Avisei para o locutor e ele prontamente falou isso para que todos ouvissem, mas avisei a ele que a meta eram os 100k e ele disse que esperaria que eu alcançasse a meta para fazer uma festa maior.

Pela primeira vez fiz as contas e vi que precisava correr 8 voltas por hora. Não era uma meta difícil, mas também não é fácil fazer isso depois de 19h de prova. Na primeira volta eu corro 7 voltas, na segunda eu também corro as 7 voltas. Precisava então correr ao menos 10 para que eu conseguisse voltar à média. Na terceira hora consegui correr 12 voltas. Fiz as contas novamente e vi que só restavam 14 voltas para que eu alcançasse minha meta! Teria que correr 7 voltas por hora. Era uma meta fácil, mas eu não queria correr o risco de não conseguir. O que fiz? Resolvi correr essa hora feito um louco!

Dentro da penúltima hora de corrida, mais precisamente às 8h53’35” eu dei a volta de número 249. Avisei ao locutor que faltava uma e lá foi ele narrando a minha volta, como se eu estivesse ganhando a corria e essa fosse a última volta a ser completada. Meus amigos me aplaudiam e me senti o maior vencedor dentro daquela pista! Pessoas que não me conheciam até a véspera estava comemorando muito! Eu estava muito feliz! Aquele era o meu momento! Fiz a volta em 2’31”, algo muito rápido para o meu joelho, mas ele não deu nenhum pio... Às 8h56’07” meu objetivo tinha sido alcançado! Entre às 8h e às 9h dei 15 voltas na pista, número esse só menor que os das 2 primeiras horas de prova. Sei que correr 6km em uma hora é algo fácil, mas numa prova de 24h é bem difícil, ainda mais na 23ªh.

Na última hora foram 7 voltas bem burocráticas, o que me deixou com um total de 259 voltas corridas, o que é igual a 103,6km percorridos. Um recorde pessoal! Mais de 20k acima do recorde anterior.

A prova acaba com muita festa pontualmente às 10h da manhã de domingo! Todos recebem suas medalhas! Todos são vencedores! Há uma grande confraternização dos corredores. Depois tem inicio à cerimônia de premiação e ao final dela, como ninguém é de ferro, é a hora de descansar. Vou para casa dormir, coisa que não fiz direito por mais de 24h. saí da Escola Naval com a alma lavada e me sentindo a pessoa mais realizada do mundo! Muitas pessoas chegaram na minha frente, mas eu não estava nem aí para isso! Muitas outras também chegaram atrás de mim, e eu também não estava nem aí para isso! Sei que todos estavam se sentindo vitoriosos! E isso não tem dinheiro nenhum no mundo que pague!

Com a merecida medalha!


Adoro tirar fotos assim!

Muitos não entendem porque corro essas provas longas! O dia que sentirem o que eu sinto ao final de uma prova onde me superei, vão entender e nunca mais vão perguntar!
Regendo a Orquestra depois da minha vitória!

Nesse fim de semana eu me realizei! Torço para que todos consigam se realizar ao menos uma vez na vida! É muito bom!

Abraços e até o próximo relato,

Rodrigo Damasceno

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Novembro, o mês das Maratonas!

Entramos em Novembro!

Além de ser o mês do viradão esportivo qui no Rio de Janeiro, é o mês das Maratonas. Farei 2 Maratonas e 1 Ultramaratona.

A primeira Maratona será em Búzios, dia 15. Será uma corrida cross-country, ao estilo de Bombinhas e Praias e Trilhas. Parece ser bem mais fácil, mas isso só poderei saber na hora.

A segunda será a Maratona de Curitiba. Dia 22 irei correr os 42.195m na capital paranaense. É considerada a Maratona de Rua mais difícil do Brasil, devido ao percurso.

E para finalizar o mês farei pela 2ª vez a Ultra Rio 24h, na Escola Naval. Essa foi a minha primeira Ultra da minha vida e foi uma preparação para a BR217 desse ano. Nesse ano não será diferente. Ela servirá de treino para a BR217 do ano que vem. Ao invés de correr em Trio, correrei a BR em Dupla. 2 pessoas, 217km, 48h, tudo isso na Serra da Mantiqueira.

Quanto ao Viradão Esportivo, ficarei de fora, pois quero relaxar um pouco das corridas. Já foram 20 somente esse ano, e ainda faltam 2 meses do ano. Por enquento a média foi de 1 corrida a cada 15 dias.

Bom treinos a todos!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Desafio Prais e Trilhas 84km (Dia 2)

Depois de encarar 42km na véspera, era hora de encarar os 42k finais! Dessa vez a largada era meia hora mais cedo, mas era bem mais perto. Era simplesmente na praia em frente ao hotel, o que me deu 1h a mais de sono, sono este muito do necessário.

O despertador tocou às 5:30, tomei um banho. Arrumei minhas roupas e parti para o café da manhã. Era hora de preparar as malas, pois iríamos trocar de hotel, e cair na estrada, a pé!

Antes de largar houve novamente a checagem do material e a pesagem. Agora eu estava com 71,2kg, o que é meu peso normal para o momento, já que preciso emagrecer! Antes da 7h já estavam todos posicionados para a largada na praia.

Pontualmente às 7h a largada foi dada e ao contrário do dia anterior, a corrida dessa vez começava na areia e já seguia para um dos terrenos mais difíceis: dunas! Era impossível correr direito, preferi andar ainda no km inicial, mas assim como eu, muitos outros tomaram essa decisão. Mesmo igual aos outros, tomei a ponta novamente da corrida. Eu e mais uns éramos os últimos colocados.

Saímos das dunas e enfrentamos logo a primeira trilha, com direito a uma coisa que todo mundo odeia: costão de pedra. Mas incrivelmente estava com gás nessa hora e adorei encarar esses costão. A próxima parada era a Praia Mole, que como o nome diz é uma praia com areia muito fofa, péssima de se correr, mas não teve jeito, a corrida era obrigatória, pois à frente enfrentaríamos uma trilha muito difícil. Logo depois da praia mole passamos por uma praia de nudismo, Galheta. mas pela hora e pelo clima (estava ameaçando chover) não havia sequer um peladão a vista! Devido ao percurso difícil estávamos perto da barreira dos 10k e já tínhamos passado 2h de corrida. Pelo regulamento teríamos que chegar lá até o limite de 2h30min. Fiz as contas e teríamos que acelerar o ritmo para conseguir chegar a tempo. O que tínhamos pela frente? Trilha! E em subida! Mas seguimos. Nessa hora estava comigo a Sabine, minha companheira de maior parte desse desafio e o Rodrigo de São Paulo. Depois de um tempo na trilha seguimos só Sabine e eu!

Chegamos no km10 com 2h28min, mas descobrimos que mesmo que chegássemos com mais de 2h30 não seríamos desclassificados. Somente com mais de 3h30, mas era impossível alguém estourar esse tempo. Nessa hora além do Rodrigo, só tinham 3 ou 4 pessoas atrás da gente. Seguimos em frente numa praia de 12km de extensão. Praia essa que alternava areia mole e dura. Das 4 pessoas que estavam atrás da gente, 2 nos passaram. Mas seguíamos bravamente por aquela curva sem fim, que inicialmente parecia ser do tamanho de Copacabana e mostrou-se ser 3x maior. Essa praia maldita e ao mesmo tempo lindíssima se chama Moçambique. Não preciso nem falar o que tinha depois dessa praia, pelo visto todos que estão lendo sabem que era uma trilha! Nessa hora já estava chovendo e ventando muito, o que incomodava bastante.

Seguimos em frente e chegamos na praia do Santinho. Nessa hora, km29, resolvo correr, e a Sabine resolve andar. Então nos separamos, e segui viagem. Somente quando cheguei é que descobri que a Sabine tinha abandonado um pouco mais à frente. Fiquei muito triste, pois ela é uma pessoa que merecia ter concluído essa corrida. Se soubesse que ela desistiria, certamente não a teria deixado para trás. Mas nessa hora eu não tinha como saber...

Logo depois da Paria do Santinho é que vem a pior parte da prova. O Costão do Santinho! Um costão de pedras escorregadias com sinalização fraca. Como tinha chovido, parte da sinalização deve ter apagado, o que tornou o costão mais difícil ainda. Não sei por qual motivo resolvi encarar o costão com pressa. Mas me arrependi isso na terceira pedra, quando tomei um senhor tombo que quase me jogou na água. Aprendi com o meu erro e vou calmamente pelas pedras molhas e escorregadias. Em certas horas era difícil de se equilibrar. Tinha pedra com limo e devíamos subir por ela. Pela primeira vez durante uma corrida fiquei com medo de morrer! No meio das pedras consigo ultrapassar o Rodrigo, na verdade ele me deu passagem, pois se ele não fizesse isso, seria impossível ultrapassar. Pela primeira vez na minha vida faço 1km em mais de 30min, alho que nem engatinhando se consegue. E detalhe: EU ESTAVA NUMA CORRIDA!!!

Pois bem, o costão/trilha acabou e chegamos na Praia dos Ingleses. Encaro a praia até a metade e sigo para uma rua asfaltada! Nem acreditei quando isso aconteceu! Mas o que é bom dura pouco. Logo em seguida já entrávamos numa trilha. Nessa trilha encontro 2 bois e uma vaca, e a vaca estava justamente na passagem. Ou seja, era preciso espantar a vaca. Nessa hora eu estava acompanhado pelo Flávio de Brasília. Sigo com ele até a praia seguinte, Brava, mas como ele estava com dores na perna, resolvo seguir a diante. Agora só faltavam 2 praias e 1 trilha.

Encaro a trilhas o mais depressa que consigo, mas isso não deve ser considerado algo como muito rápido. Ao final da trilha chego na praia final. Começo a correr que nem um louco, avisto uma festa infantil e acho que é a chegada. Pena que não era, pois estava muito perto! Logo depois avisto a chegada de verdade e um corredor na minha frente, mas ele estava longe o suficiente para ser impossível passá-lo. Sigo no ritmo máximo, e completo o segundo dia com 9h31min, apenas um pouco acima do dia anterior. Completo o desafio dos 84km com 18h58min.

Agora era hora de descansar, tomar banho e assistir a premiação.

Até o próximo relato!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Desafio Praias e Trilhas 84km (Dia 1)

O que falar dessa corrida? Ela faz juz ao nome em tudo: DESAFIO, pois é absurdamente difícil, PRAIAS, muita areia pela frente e TRILHAS, das mais difícies que já fiz.

Essa foi sem sombra de dúvidas a prova mais difícil que já enfrentei. O fato de ter um descanso no meio, entre 2 Maratonas, só piora as coisas, pois dá tempo do seu corpo reclamar! E como ele reclama!!!

São dois dias de loucura. O primeiro sai do Sul da ilha de Florianópolis. Para se ter uma idéia, saímos da chegada para a largada de ônibus e demorou muito. Imagina fazer isso correndo em areia e trilha? Nunca acordei tão cedo para correr. Às 4:30 eu já estava de pé, e às 5:30 já estava no ônibus para a largada que seria dada somente 2h depois. Ainda na largada, fomos pesados, e verificaram todo o equipamento obrigatório (1L de água, 1 cobertor de emergência, atadura e apito). Sim, além de tudo tem que correr 2 dias carregando isso numa mochila, no meu caso! E ao invés de levar 1L eu levei 2. Além desses materiais que deveriam ser trazidos, ainda tinha um copinho para a nossa hidratação nos postos, que deveria ser levado preso por um chaveiro. Tudo para a ajudar na logística, mas para atrapalhar a corrida.

Às 7:30 é dada a largada e desde o início ocupo a ponta da corrida! A ponta de trás da corrida, diga-se de passagem. Eu e mais alguns formamos o pelotão final da corrida. Pelotão esse que aos poucos foi de desfazendo... Nos primeiros km vou na companhia da Sabine, amiga e Marathon Maniac de Porto Alegre e também do Seabra, amigo e concluinte da BR135 Solo desse ano, e atual membro do comitê de escolha dos atletas. Vamos juntos nos primeiros km no asfalto, algo que seria raro nessa corrida, e também durante boa parte da trilha! Depois de um tempo o Seabra acabou ficando para trás por conta da dificuldade da trilha. Somente no km 30 descobri que ele acabaria desistindo, fiquei triste, mas segui viagem, já que o encontrei bebendo cerveja animadamente!

Mas antes de chegar no referido km tinha muito chão pela frente. Começamos do lado oeste, mas já ao Sul da ilha. Fazemos a volta e a partir de então a corrida vai toda vida para o norte. Primeiro passamos pela a praia dos Naufragados, Solidão, Açores, Pântano do Sul, Lagoinha do Leste, Matadeiro, Armação, Morro das Pedras, Campeche e Joaquina, a praia final e a linha de chegada do primeiro dia. Parece fácil, mas cada praia dessas tinha uma surpresinha ao final: uma trilha muito difícil! E numa dessa trilha tínhamos que encarar um costão de pedras, justamente no local chamado de Matadeiro! Muito justo o nome né?

No km27 me despeço da Sabine, pois eu precisava ficar mais tempo no posto de reabastecimento para comer e reabastecer de água para os próximos 15km só de areia. Ela saiu uma 5 a 10 min na minha frente. A partir de então passa a ser uma corrida sozinho, sem companhia. E eu precisava de companhia para me puxar. Já no final da primeira praia pós km27 (Armação), sinto uma forte contratura na coxa direita que quase me fez cair. Tento alongar e o mesmo acontece na perna esquerda. Jogo quase metade da minha água nas pernas e sigo viagem. No início da outra praia (Campeche) é que encontro o Seabra na cerveja! Quanta inveja! Depois descobri que ele foi levado para lá de helicóptero... Figuraça ele!

Sigo viagem e no meio da praia, que era enorme, sinto novamente a perna. Como não tinha água suficiente para jogar nas pernas e para beber, resolvo entrar no mar para melhorar! Foi a melhor coisa que fiz. Na mesma hora passou. Passo pelo último posto de hidratação e descubro que a Sabine passou uma pessoa e está há uns 10 a 15min na minha frente. Muito bom ela ter continuado num ritmo bom para terreno. Ainda faltavam 7km e as minhas pernas! Elas não eram nada nesse pedaço.

Vou andando boa parte desses 7km, tentando trotar de vez em quando, mas as pernas pedem para andar. Já consigo ver a praia da Joaquina e o que parecia ser a linha de chegada. A praia vai se aproximando, mas a linha de chegada estava um pouco mais a frente do que parecia. Quando finalmente entro na praia da Joaquina, com sua areia dura, resolvo correr rápido! Vou chegando perto e já começo a ouvir e ver as pessoas gritando por mim. Na linha de chegada estava o Manel, meu treinador e 6º colocado no primeiro dia e o Alberto, amigo Marathon Maniac de Campinas. Nisso vejo o corredor que a Sabine tinha passado, longe o suficiente para cruzar a linha na minha frente. Mas eu dei uma de louco de dei um sprint final absurdo (pelo menos para a ocasião). Na linha de chegada eu o ultrapasso, chegando 1s na sua frente, pela cronometragem da prova. Cruzamos de mão dadas, mas meu pé estava ligeiramente na frente! Rs... Foi muito bom esse gás final! Mas ainda faltavam 42km no dia seguinte.

Me peso, descubro que perdi 3,6kg na corrida, me hidrato, como um pouco para forrar o estômago, depois uma massagem e um jantar! Sim já eram quase 6h da tarde quando cheguei, com 9h27’40” .

Agora era descansar e esperar o próximo dia chegar!

Mais detalhes do segundo dia e do final na corrida no próximo post! Fotos em outro post também...

Abraços

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

24h correndo com Dean Karnazes

O que dizer dessa semana maravilhosa? Tive o prazer de encontrar Dean Karnazes 3x numa mesma semana. E na primeira vez foi durante 24h. Essa será a primeira história que vou contar:

Sábado, 12 de Setembro de 2009

Já estava em São Paulo desde a véspera. Eram 18h30min e lá estava eu na Frutaria São Paulo, no meio do burburinho da largada, dando entrevista pra ESPN Brasil (que não foi ao ar), tirando muitas fotos com amigos e pessoas que conheci na hora, quando chega Dean Karnazes. Ele foi super atencioso com todos, tirou fotos, deu autógrafo nos livros e/ou camisas de quem pediu.

Foi nesse burburinho que conheci pessoalmente a incrível Paula Raso, gerente de marketing da The North Face, empresa responsável pelo evento.

Um pouco depois das 19h, vamos todos nos alinhar para largar. Largada essa super festiva, onde todos, inclusive o astro da noite, pareciam crianças. Todos já estavam com a pulseira azul, que correspondia ao primeiro trecho. Ao todo eram 6 trechos, e até então pretendia correr todos integralmente. Acabei correndo em todos os trechos, mas apenas o primeiro foi na totalidade. O primeiro trecho foi de 33km.

Pois bem, foi dada a largada e rumamos ao Ibirapuera. Primeiramente demos uma volta pelo lado de fora e depois entramos e fizemos um percurso completo lá dentro. Lá estava um breu e fui salvo pela lanterna de cabeça que a Paula me emprestou. Essa parte foi difícil, mas nada comparado ao que estava por vir.

Ao sair do Ibira (putz! Já estou falando que nem paulista! rs) fomos em direção ao Mercado Municipal. Ao chegar lá, chegamos ao final do primeiro trecho. Ainda faltavam 5! E ainda era meia-noite.

Após uma parada para repor energias e trocar os corredores que iriam correr apenas um trecho, fomos em direção à Praça da República. Consigo aguentar por mais uns 10km, mas um pouco depois da barreira da Maratona me canso numa subida e aceito o convite de um dos carros de apoio para me uma carona. Volto a me juntar ao grupo num Mc Donald’s, mas as pernas pedem um descanso e revolvo voltar ao carro para conseguir recuperar as forças. Sigo de carro até a Praça, lá descanso junto com o grupo. Próxima parada Avenida Paulista!!! O que foi passar por uma rave nesse trecho? A animação das pessoas era diferente, e até deram um arco com chifre para o Dean usar. E ele usou amarradão. A energia do grupo estava contagiante.

Antes de chegarmos na Av. Paulista, o dia nasceu. Foi lindo ver o dia nascer enquanto corria. Entramos na Paulista e chegamos à metade da corrida ao chegar em frente ao famoso MASP. Dessa vez a parada foi mais longa. Ao invés dos 15 min habituais, demoramos uns 45. Ao final desse descanso, seguimos viagem. A próxima parada dessa aventura seria o Parque Alfredo Volpi.

Antes de chegar lá, tinha outro Parque, o Villa Lobos. Fomos todos correr dentro desse parque que está sempre lotado e dessa vez não foi diferente. O grupo entrou no já cheio parque e roubou um pouco da atenção dos freqüentadores. Logo depois uma rua longa e cansativa, onde até o Dean reclamou. No final dessa rua, ou avenida, o Parque Alfredo Volpi. Nossa quarta e penúltima parada.

Agora já estávamos no bairro do Morumbi e o penúltimo trecho seria todo dentro do bairro, dando voltas em pleno bairro das mansões. Cada casarão lindo. Ao final desse longo trecho de subidas e descidas, chegamos ao Estádio do São Paulo, o famoso Morumbi. Lá encontramos com ninguém mais, ninguém menos que Adriano Bastos. Pois é, o hexa-campeão da Maratona da Disney e campeão da Maratona de Porto Alegre e São Paulo desse ano, e que tinha acabado de ganhar uma corrida de 8km de manhã, se juntou a nós para os derradeiros 22km.

Esse último trecho passou pela Ponte Estaiada, também teve uma parada num Mc Donald’s, o restaurante preferido do Dean nessa corrida, e teve muita subida e descida, como tudo em São Paulo. Eita cidade cheia de desnível!

A chegada foi dentro do shopping Morumbi, na Loja The North Face, patrocinadora do Dean e idealizadora do evento. Foi muito emocionante a chegada. Todo mundo estava em êxtase. Não dá para colocar em palavras o que senti ao cruzar a linha de chegada ao lado desse ícone das Ultramaratonas. Ele, juntamente com seu primeiro livro, me inspirou a correr ultras. Já falei anteriormente que Alexandre, Peter e Marcio me deram o impulso que faltava para virar um ultramaratonista. Dean também está nesse grupo, formando o quarteto responsável por isso tudo. Por isso correr com ele é tão maravilhoso. Foi simplesmente perfeito.

Não consegui fazer as 24h. Corri 75km, o que foi aproximadamente metade do desafio, que não teve uma quilometragem definida ao fim. Estima-se que tenha tido entre 140 e 155km. Mesmo não tendo corrido tudo, foi sensacional. Cada metro foi muito gostoso. Correr com um ídolo durante todos os 75km foi sensacional. Assim como correr também com o Adriano Bastos, assim como correr com essa dupla e também com vários amigos que lá estavam.

Pude reencontrar a Ana Levada, que é uma figuraça, o Harry, o Emerson, o Alexei, a Tomiko, minha querida “vó” Lucina, Elisete, o Pinguim. Tive o prazer de conhecer o João Paulo, que correrá a BR 217 em dupla comigo, o Joka, etc. Se esqueci de alguém, façam o favor de me cobrar. Encontrei muita gente e não quero esquecer de citar ninguém. Sem falar no meu grande amigo Jorge, que conseguiu correr todas as 24h.

Deixo aqui meus agradecimentos ao Dean Karnazes, que se mostrou uma pessoa fenomenal durante as 24 horas e também depois, no Rio de Janeiro. Também gostaria de agradecer à The North Face em especial à Paula Raso, que me ajudou em tudo. Ao pessoal da Adventure Camp, em especial ao Jorge, que me deu todo o apoio que precisava. Também gostaria de agradecer à Editora Leblon, que está lançando o novo livro “50 Maratonas em 50 Dias” do Dean Karnazes. Foi muito bom conhecer Moacir, Maurício e Lenke da editora! Comprem esse livro! Ele é simplesmente sensacional.

Acho que isso resume ao pouco essas 24h. Tenho muito mais coisas para escrever, mas de início é isso. Em breve mais informações e fotos...

É isso! Vamos que vamos!

Seguem algumas fotos:


O maravilhoso kit

Festa pré-largada

Antes da Largada!

Eu e João Paulo! Futuro Parceiro de BR!

Desafio concluído!

Os livros, eu, e o Morumbi!


Dona Levada e Adriano Bastos

Só alegria!

Precisa de legenda?

Eu e "vó" Lucina

Eu e o mito!

Eu e a Santa Paula!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Desafio Dean Karnazes 24h

Nesse fim de semana, mais precisamente nos dias 12 e 13 de Setembro, estarei participando do Desafio Dean Karnazes 24h pelas ruas de São Paulo.


Como o próprio nome diz, é uma corrida de 24h, só que ao invés de ser em voltas, será uma grande volta pela Cidade de São Paulo. Serão aproximadamente 126km, no ritmo do Dean. O desafio consiste em acompanhá-lo.


Estou viajando hoje para São Paulo, pegarei meu kit e me prepararei para correr amanhã. A corrida começa as 19h.


Quem quiser acompanhar pode fazer isso pelo site: www.thenorthface.com.br/desafio24horas/index2.html


quinta-feira, 18 de junho de 2009

Maníaco de Verdade



O logo aqui em cima mostra um dos meus objetivos para esse ano: entrar para o “Marathon Maniacs”, que vem a ser um grupo de maratonistas que são classificados de diversas formas conforme o número de Maratonas que corre.

Para ser do nível Bronze, o menor de todos, precisa correr pelo menos 3 Maratonas (ou corridas maiores) em menos de 90 dias. Algo considerado bastante difícil.

Tentarei entrar nesse grupo correndo as seguintes corridas:

Maratona Internacional de São Paulo (30/05/2009)



Maratona da Cidade do Rio de Janeiro (28/06/2009)



Super Maratona de Nova Friburgo (23/08/2009)



Tudo isso num prazo de 85 dias, o que me classificaria para o “Marathon Maniacs”.

É isso aí! Vamos que vamos!!!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Minhas corridas (até 18 de Junho de 2009)

Segue uma pequena lista das principais corridas que fiz nesses 9 anos de corrida:

20/08/00 - IV Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro
29/06/03 - Maratona da Cidade do Rio de Janeiro
31/08/03 - VII Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro
02/09/07 - XI Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro
29/06/08 - Maratona da Cidade do Rio de Janeiro 2008
07/09/08 - 10 Milhas Mizuno
12/10/08 - XII Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro
29/11/08 - I Ultramaratona Rio 24h
23/01/09 - BR 217 - 217km de Revezamento em Trio
05/04/09 - 10ª Meia Maratona Corpore Internacional de SP
17/05/09 - Meia Maratona da Barra
31/05/09 - Maratona Internacional de São Paulo 2009
11/06/09 - 10 Milhas da Cidade do Rio de Janeiro